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18/05 - Congresso já negocia novo projeto de lei caso o Código seja vetado

O vice-presidente da República, Michel Temer, disse ontem (17) que parlamentares já estão negociando com o governo um projeto de lei caso o novo Código Florestal seja vetado. “Pode haver veto de partes do projeto. O Congresso já está negociando com o governo, se houver veto a partes do projeto, uma adequação, por meio de um novo projeto de lei que faça essa adequação entre o que pensa o governo e o que pensa o Congresso Nacional”,disse durante um discurso para jovens empreendedores na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

Aprovado no final de abril, o projeto do novo Código Florestal está sob análise da presidenta Dilma Rousseff. Ela tem até o dia 25 para sancionar o código com veto integral ou parcial. O texto produzido pelos senadores foi considerado mais equilibrado pelo governo, mas a bancada ruralista na Câmara alterou o projeto e voltou a incluir pontos controversos, como a possibilidade de anistia a quem desmatou ilegalmente e a redução dos parâmetros de proteção de áreas de preservação permanente (APPs). 

Antes da palestra, Temer comentou, em entrevista, os encaminhamentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. Os parlamentares decidiram hoje (17) não investigar a matriz da empresa Delta Construções nem convocar os governadores de Goiás, Marconi Perrilo (PSDB), do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). 

Para Temer, as decisões não comprometem o andamento da CPMI. “A CPMI não vai parar, certa e seguramente, não vai parar”, disse. 

 

18/05 - Seca traz prejuízos à produção agropecuária na Bahia

A seca prolongada na Bahia já trouxe prejuízos significativos ao setor agropecuário do Estado, provocando principalmente a queda de produção e podendo comprometer o abastecimento da população. A produção de leite, por exemplo, caiu em um terço desde o início da estiagem, o que representa 1,5 milhão de litros a menos por dia nas principais bacias leiteiras da região. A safra de milho e feijão do litoral norte baiano, responsável por 80% da produção estadual, deve sofrer uma perda quase que total da lavoura. As pequenas cidades do interior devem começar a sofrer com o desabastecimento de carne bovina em, no máximo, 90 dias. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 16 de maio, pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB) e refletem a preocupação do presidente da entidade, João Martins, com o atual cenário. “A situação é crítica. Há culturas em que as lavouras foram totalmente afetadas”, relata.

Segundo o balanço divulgado pela FAEB, a captação diária de leite por alguns laticínios baianos foi reduzida de 100 mil para 18 mil litros. Municípios como Coaraci, no sudeste baiano, tiveram queda de 65% na produção. Nas cidades de Itapetinga, Jequié e Itabuna, esta redução foi, em média, de 60%. Na pecuária de corte, o cenário é preocupante para os pequenos municípios, uma vez que as principais cidades têm condições de armazenar a carne vinda de outros estados. No entanto, a tendência é de que em 2013 haja menor oferta de animais prontos para o abate e este quadro deve permanecer nos anos seguintes. Para minimizar os prejuízos, revela João Martins, muitos criadores devem antecipar para este ano a comercialização de animais que seriam fornecidos para o abate apenas no próximo ano.

A falta de chuvas também deve atingir de forma expressiva a produção de cacau, uma das mais tradicionais da Bahia. Um dos locais que devem ser mais afetados é a região de transição, que engloba os municípios de Ipiaú, Ubatã, Ibirataia, Itagibá, Dário Meira, Jitaúna e Gongogi, entre outros. Com a seca, há uma perda de umidade do solo para o desenvolvimento da lavoura, o que pode comprometer a safra. Ainda de acordo com a FAEB, o cenário também é preocupante para algumas regiões de fruticultura. Por causa da estiagem, a água está sendo usada exclusivamente para abastecimento da população, pois o governo estadual suspendeu a outorga para fins comerciais. A produção de abacaxi já sofreu perdas drásticas em 2012 e deve prejudicar o plantio da próxima safra.

Canal do Produtor
 

18/05 - Com quebra na Bahia, saca de feijão ultrapassa R$ 200 em SP

Bruno Cirillo
São Paulo

A seca devastou a cultura do feijão na região baiana do Irecê, que é o principal polo produtor do estado. As perdas se alastraram por algo entre 90% e a totalidade da área plantada e provocaram alta dos preços em todo o País. A saca chegou a ser negociada a R$ 400 no Município de Campo Alegre, na divisa da Bahia com o Piauí, segundo o secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles.

Em São Paulo, a variação de oferta foi sentida com cotações acima de R$ 200. Na zona cerealista, o preço do feijão carioca subiu 106%, em relação a maio de 2011: de R$ 94, em média, naquela época, para os atuais R$ 195. Ontem, o padrão mais caro do grão era cotado a R$ 210 no mercado paulista, de acordo com o analista de mercado Leonardo Arnizaut, da consultoria Ibéria. "A tendência é de os preços continuarem firmes", disse ele.

O clima está impedindo a semeadura da segunda safra do feijão nos Estados de Pernambuco, Maranhão, Piauí e Paraíba, notificou a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb). O nordeste é a segunda região produtora do grão no Brasil, em paridade com o sudeste. O sul lidera em volume de produção, mas deve produzir menos do que São Paulo e Minas Gerais durante este ano.

Números oficiais, publicados neste mês pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que o resultado das três safras de feijão nos estados nordestinos deve ser de 539,1 mil toneladas na safra atual. Ou 43% a menos do que na anterior, quando foram colhidas 961,1 mil toneladas. "Como a Conab considera todo o estado, a previsão de quebra é menor", observou uma assessora econômica da Faeb, explicando que as maiores perdas se concentram na região do Irecê.

"O feijão do Irecê está comprometido", afirmou Salles. "Como essa cultura é feita por pequenos produtores, o prejuízo é maior do que o de outras", disse o secretário, que visitou o Município de Campo Alegre e viu a saca de 60 quilos ser vendida a R$ 400.

Daqui em diante

A quebra de safras no nordeste faz com que os estados daquela região busquem o feijão produzido no centro-sul, de acordo com o consultor Arnizaut. Ainda estão por vir as colheitas do feijão pivô, entre junho e julho, do grão paulista, entre outubro e novembro, e do sul, de novembro a dezembro.

"Isso pode ajudar a equilibrar o mercado", afirmou o especialista, "mas a oferta não é excedente", ponderou, opinando que os preços não devem baixar.

Seca

A cultura do feijão está entre uma série de perdas provocadas pela estiagem que desde o final do ano passado prejudica a agricultura baiana. A produção de leite é outro caso, com queda próxima de um terço, isto é, 1,5 milhão de litros deixam de ser produzidos por dia. No caso do milho, sem considerar o que já foi colhido na região oeste do estado, a perda é total no litoral norte, que representa 80% da safra da Bahia, segundo a Faeb.

Para conter os danos da seca, ações públicas de apoio ao agricultor estão sendo executadas no estado. O Banco do Nordeste está oferecendo crédito emergencial de até R$ 12 mil - com juro de 1% mensal, três anos de carência e dez para quitar a dívida, com abono de 40% do valor do empréstimo - para pequenos produtores. As dívidas para custeio e investimento nas lavouras podem ser prorrogadas.

"Todo dia tem uma ação nova", garantiu Salles. "Ontem, contratamos uma empresa para fazer indução artificial da chuva, com condução de nuvens, no sertão". O projeto piloto custou R$ 200 mil, pagos pelas secretarias de Agricultura e Meio Ambiente.

"A Conab está comprando ovinos e caprinos a R$ 9,50 o quilo, para abatê-los em frigoríficos inspecionados e doá-los a comunidades carentes", relatou o secretário. Nesse tipo de compra, há limite de R$ 4.500 por produtor e de R$ 100 mil para cooperativas e associações de agricultores.

Em se tratando de milho, a Conab está promovendo, na Bahia, venda-balcão do grão, com base no preço mínimo (cerca de R$ 18 por saca). Isso porque "o milho, neste momento, tem cotação mínima de R$ 40", diz Salles.

DCI - Diário do Comércio & Indústria
 

18/05 - Superprodução pressiona preços do milho

Especulação que antecede colheita gera desvalorização do grão, mas alta demanda mundial deve manter rentabilidade

A expectativa de safra recorde de milho segunda safra, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos e na Argentina, tem pressionado para baixo os preços da commodity. Tendência natural do mercado, a especulação deve diminuir com o início da colheita. Segundo especialistas, a comercialização antecipada e o alto índice de consumo interno e externo devem manter as cotações elevadas. Pesquisa da Céleres mostra que, pela primeira vez em 10 anos, a produção de milho ultrapassou a de soja no Brasil, resultado dos prejuízos climáticos causados à oleaginosa e da alta rentabilidade do milho.

Na semana passada, o agricultor paranaense recebeu, em média, R$ 20,70 por saca de 60 kg de milho. A maior média registrada até agora nesta safra foi de R$ 23,07, em fevereiro. O economista do Departamento de Economia Rural (Deral), Marcelo Garrido, alega que a redução nos preços apresentada nas últimas semanas é resultado do aumento significativo das produções paranaense, sul-mato-grossense e norte-americana de milho, que resultaram em uma safra mundial do grão estimada em 945,8 milhões de toneladas em 2012/13, volume 8,7% superior à safra anterior.

O último levantamento do Deral indica que a segunda safra de milho no Paraná deve somar 9,97 milhões de toneladas. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que os produtores de milho do Mato Grosso do Sul colham um total de 11,39 milhões de toneladas do grão. ''Isso é um reflexo do aumento da oferta do produto esperada para o segundo semestre deste ano. Especulação existe no mercado em geral, mas o consumo interno de milho é muito grande e, assim, fica difícil mensurar o quanto a safra vai impactar no preço'', justifica. Até o momento, 1% do milho safrinha já foi colhido no Estado e a avaliação do Deral é de que 87% das lavouras estão em boas condições, enquanto 12% em média e apenas 1% em condições ruins.

De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador regional de vendas da Biomatrix, Antônio Benedetti Junior, essa movimentação no mercado é comum no período que antecede a colheita da safra. ''Assim que se define o teto de produtividade esperada, tem início a especulação. Na 'boca de safra' os preços caem, mas depois voltam à normalidade'', justifica. Ele afirma que a tendência para os meses de julho, agosto e setembro é de que os preços comecem a subir novamente. O agrônomo alega que o impacto do aumento da área plantada com milho nos Estados Unidos deve ser amenizado pelo fato de que grande parte do produto será destinado à produção de etanol.

Exportações

Benedetti Junior revela que, somente no primeiro quadrimestre deste ano, a China já importou 1,4 milhão de toneladas de milho brasileiro, enquanto que, durante todo o ano passado, o Brasil exportou 9,5 milhões de toneladas do grão. Para 2012, a expectativa apontada pela Céleres é de que a importação da China tenha um acréscimo de 40% em relação ao ano passado, totalizando 7 milhões de toneladas. Além disso, novos players representam uma abertura ainda maior do mercado externo para o produto. Balanço da Céleres estima que o consumo mundial de milho deve chegar a 921 milhões de toneladas, 6,2% superior à safra 2011/12.

O agrônomo explica que o crescimento das exportações, aliado à demanda interna dos segmentos da avicultura e pecuária, deve sustentar os preços. Para ele, o bom momento vivenciado pela cultura do milho no País deve se manter nos próximos anos e os produtores devem continuar animados diante da expansão do consumo mundial da commodity, inclusive por economias em ascensão, como China e Índia. No entanto, entre janeiro e abril deste ano, o Brasil exportou 1,5 milhão de toneladas do grão, volume 44% menor do que o comercializado no mesmo período do ano passado. Desse total, 66,9% são originários do Paraná, estado líder nas exportações.

Mariana Fabre

Folha Web
 

17/05 - Grandes produtores de trigo, Paraná e Rio Grande do Sul vivem situações opostas no cultivo do cereal

Os dois Estados que mais produzem trigo no país vivem situações diferentes na região Sul. O Paraná deve ter a menor área plantada dos últimos 37 anos, segundo o Departamento de Economia Rural do Estado, com 785 mil hectares. Já no Rio Grande do Sul, a expectativa é de um aumento de 10% na área destinada ao cereal, cujo plantio começa nas próximas semanas. Em 2011, os produtores gaúchos plantaram 932 hectares de trigo, de acordo com a Emater. O assistente técnico da empresa Alencar Rugere aponta que a preocupação é que este crescimento não seja resultado de um cenário positivo de mercado, mas da frustração provocada pela seca.

– O produtor está tentando buscar uma solução diante de um fato ocorrido anteriormente, que foi a dificuldade na soja. O que temos que ter é uma atividade com planejamento. Quer dizer, o que eu vou fazer daqui a um, dois ou três anos dentro da atividade, com rotação de cultura, com planejamento da atividade, que é onde a atividade mais peca? Talvez seja no planejamento da atividade. É onde nós deveríamos ser mais eficientes – diz.

O produtor rural João Batista da Silveira afirma que dedicará mais de 200 hectares de sua propriedade, em Passo Fundo (RS), à cultura de inverno. Segundo ele, metade de sua lavoura de soja foi perdida na última safra. A intenção é tentar reduzir o prejuízo.

– O trigo seria a maneira de recuperarmos o poder aquisitivo que perdemos com a soja. Então, o trigo realmente nos dá um alento – relata.

O engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo Fabiano de Bona, no entanto, pontua que há boas notícias provenientes das análises de solo feitas em laboratórios. Elas mostram que, por causa da seca, a terra perdeu menos nutrientes. Desta forma, os produtores podem economizar com a adubação.

– Como tivemos uma safra de verão com uma produtividade baixa e pouca chuva, houve pouca perda dos nutrientes, de fertilidade do solo, que ele acabou aplicando – explica.

 

CANAL RURAL

 
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