🌅 Relatório de Abertura — 24/08/2026

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Boa tarde!

A semana começa com forte valorização do milho e do trigo em Chicago, enquanto a soja opera próxima da estabilidade.
O mercado repercute principalmente os números finais do Pro Farmer Crop Tour, que trouxeram uma leitura bastante mais apertada para o milho americano, enquanto indicaram potencial recorde para a soja.

O milho é o grande destaque desta manhã.
O dezembro/26 sobe cerca de 15 cents e renovou a máxima do contrato, após fechar sexta-feira a US$ 5,085/bushel e acumular alta superior a 5% na semana.

O Pro Farmer estimou a produtividade americana em 173,2 bushels/acre, bem abaixo dos 180,7 bu/acre projetados pelo USDA.
A produção foi calculada em 15,344 bilhões de bushels, aproximadamente 389,8 milhões de toneladas, contra cerca de 406,7 milhões de toneladas do USDA.

Estamos falando, portanto, de uma diferença próxima de 17 milhões de toneladas. Mesmo com uma grande área plantada, a quebra de produtividade apontada pelo Crop Tour muda sensivelmente a leitura do balanço americano e explica a força atual do milho.

O ponto de atenção agora é o quanto dessa perda será reconhecida pelo USDA. Depois da reação forte dos últimos dias, um corte muito menor que o indicado pelo Pro Farmer nos próximos relatórios poderia provocar realização de lucros.
O próximo WASDE, em setembro, ganha ainda mais importância.

Na soja, a situação é diferente.
O Pro Farmer estimou produtividade de 53,3 bu/acre, acima dos 52,7 bu/acre do USDA, projetando produção de aproximadamente 124,4 milhões de toneladas contra cerca de 123 milhões do USDA.

Apesar da perspectiva de uma safra maior, a demanda continua dando sustentação.

Além disso, o forte esmagamento doméstico americano reduz a folga disponível para exportação.
Isso deixa o mercado mais sensível a qualquer eventual perda de produtividade nas próximas semanas.
Assim, a soja continua dividida entre uma oferta potencialmente maior e uma demanda bastante forte.

Nesta manhã, novembro/26 trabalha próximo de US$ 12,35/bushel em queda.

O trigo acompanha a forte alta do milho e continua recebendo prêmio de risco pela interrupção dos fluxos de grãos no Mar Negro, em meio aos ataques envolvendo estruturas portuárias russas e ucranianas.

Por outro lado, surgiu hoje um fator potencialmente baixista:
A Índia retirou a proibição às exportações de trigo mantida desde 2022.
O país teve uma safra recorde de 120,6 milhões de toneladas e sua volta ao mercado internacional pode ajudar a aumentar a disponibilidade global.
Portanto, no trigo temos forças bastante opostas: risco logístico no Mar Negro de um lado e maior oferta indiana do outro.

O clima continua importante para a definição final da produtividade.

As previsões ficaram mais secas e ligeiramente mais quentes para os próximos 15 dias em boa parte do meio oeste americano.
Os maiores cortes de chuva aparecem em áreas de Dakota do Sul, Indiana, Ohio, Missouri e Kentucky.

No noroeste do cinturão, principalmente sul de Minnesota e oeste de Wisconsin, a falta de umidade ainda causa algum estresse em milho e soja.
Já o Delta deverá receber mais chuvas nesta semana, favorecendo o enchimento final da soja.

Por enquanto, não existe ameaça generalizada de calor extremo no meio oeste, com temperaturas ainda relativamente amenas.
Portanto, o clima não representa uma ameaça ampla à safra, mas mantém riscos localizados justamente em uma fase importante para o peso final dos grãos.

Ja no Brasil, Mato Grosso encerrou oficialmente a colheita da segunda safra, atingindo 100% da área de milho.
O Imea trabalha atualmente com produção de 57,39 milhões de toneladas e ainda admite possibilidade de o volume final superar essa estimativa.

Para soja e milho brasileiros, a queda recente do dólar tira parte da sustentação em reais, enquanto a valorização de Chicago atua no sentido contrário.
Essa combinação entre CBOT forte e câmbio mais baixo deverá continuar importante na formação dos preços internos.

Os mercados globais começam a semana mais cautelosos.
Os futuros americanos operam em queda, principalmente o Nasdaq, enquanto os investidores acompanham a forte elevação dos juros longos americanos e aguardam novos eventos importantes durante a semana.

O Treasury de 10 anos trabalha próximo de 4,70%, mantendo pressão sobre ativos de risco. As preocupações continuam concentradas no déficit fiscal americano, inflação e na enorme necessidade de financiamento do Tesouro.

Hoje, o principal evento geopolítico será o anúncio do secretário do Tesouro, Scott Bessent, sobre uma nova ofensiva financeira contra o Irã.
Washington promete ampliar significativamente as sanções e atingir também parceiros comerciais de Teerã.

O petróleo recua cerca de 1% nesta manhã, com Brent próximo de US$ 93/barril e WTI ao redor de US$ 85, após duas semanas consecutivas de alta.
Apesar da correção, o risco envolvendo o Estreito de Ormuz permanece elevado.

Também aumenta a tensão comercial entre Estados Unidos e Canadá.
Após o fracasso das negociações, Washington aplicou tarifas de 50% sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos canadenses, e Ottawa prometeu retaliar dólar por dólar a partir de setembro.

A semana ainda terá dois eventos importantes para os mercados: divulgação do PCE e resultados da Nvidia na quarta-feira, além do simpósio de Jackson Hole.
O discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, na sexta-feira será acompanhado especialmente de perto diante da alta recente dos Treasuries e das dúvidas sobre os próximos passos da política monetária americana.

Para o mercado, o estreitamento da corrida eleitoral no Brasil tende a aumentar a sensibilidade dos ativos às pesquisas e, principalmente, às sinalizações sobre política econômica.
A partir daqui, fiscal, controle de gastos, composição das equipes econômicas e propostas para 2027 devem ganhar cada vez mais peso na formação do dólar, juros e Bolsa.

AGENDA DE HOJE:
12:00 Inspeções semanais de exportação dos EUA;
15:00 Scott Bessent detalha novas sanções contra o Irã;
17:00 Crop Progress e condições das lavouras dos EUA;

RESUMO DO DIA:
O milho começa a semana como protagonista.
O Pro Farmer colocou na mesa uma safra americana quase 17 milhões de toneladas menor que a estimativa atual do USDA, levando dezembro/26 a novas máximas.

Na soja, o cenário é mais equilibrado: o Crop Tour apontou produtividade maior, mas as fortes compras chinesas e o esmagamento recorde americano mantêm a demanda como importante sustentação.

O trigo ganha força com o milho e os problemas logísticos no Mar Negro, mas a volta da Índia ao mercado exportador merece atenção.

No macro, Irã, Treasuries e política monetária americana continuam sendo os principais fatores de risco. A semana promete bastante volatilidade.

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